Em defesa da descrença

notasuntitledOla pessoas,
Hoje vim trazer um texto para vocês sobre a descrença. Espero que gostem!!

Há momentos em que me sinto um ateu incurável, um desconfiado sem redenção, um niilista de carteirinha, um cético de passeata, um agnóstico subversivo.
Constatando minha descrença básica em tantos dogmas que exigem fé incondicional, pergunto-me se um dia ainda serei aceito entre os vencedores da vida, pessoas que encaram o mundo com os olhos arregalados, em êxtase.
Assediado todos os dias pelos apóstolos de uma visão de mundo em que não consigo crer, pressionado pelos pregadores infalíveis de uma salvação a que não me sinto chamado, resta-me o protesto veemente, a exposição de minha profissão de não-fé:
Não acredito no horóscopo do dia. A propósito, nós, arianos, não acreditamos em previsões que distribuem os destinos humanos em doze possibilidades, por mais poética ou difusa que seja a sua formulação.
Não acredito em duendes, em anjos cabalísticos, no poder das pirâmides, nem mesmo no famoso pensamento positivo, uma vez que todo o pensamento que se preze é maior que zero, as pirâmides são apenas belos túmulos e os duendes e anjos têm mais o que fazer do que virar mercadoria esotérica.
Não acredito que na crise se cresce. Esse trocadilho infeliz despreza a quantidade de pessoas que no desemprego, na fome e na doença decrescem e desaparecem. A crise é boa para quem explora a crise alheia.
Não acredito em metade do que diz a imprensa. Há pessoas que acreditam em tudo o que lêem nos jornais, mas não acreditam em nada do que diz a poesia. Os poetas mentem com elegância e pureza.
Não acredito nas pegadinhas dominicais que a TV mostra. Tudo aquilo é encenação, mas meu lado inocente assiste e sempre ri com todas elas.
Não acredito no fim do mundo, por mais que interpretem os poemas de Nostradamus como se fossem profecias e não poemas.
Não acredito na Lei de Murphy. Minha descrença nada tem a ver com o pessimismo sistemático. Ninguém deveria caluniar a vida.
Não acredito nas listas dos livros mais vendidos, seja na área de ficção ou de não-ficção, embora possa acreditar no dia em que o meu livro constar dessas listas.
Não acredito em estatísticas, desde o dia em que soube que 45% dos brasileiros também não acreditam.
Não acredito na incredulidade barata, que põe em xeque uma série de superstições e depois acende uma vela para si mesma.
Não acredito! Juro que não acredito.

Fonte: Gabriel Perissé

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Sobre Carolina Felicio

É criadora e autora do blog Você Acredita em Que? desde 2009 e do Planeta Cor de Rosa há alguns meses e tornou essa a sua paixão na internet. Apaixonada por escrever, ler, redes sociais, Melissa , maquiagem, esmaltes e coisas sobrenaturais (apesar de não confessar o pavor que tem dessas coisas) adora ler a respeito e a noite quando ninguém está olhando torce para que nada de estranho te aconteça.
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