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Como resultado da inconteste hegemonia religiosa Sudanesa (Ijêxá, Kêtu, Òyó, Ifá e Benin – enfim, Ulkumy/Nàgô) e sua posterior rejeição às outras correntes religiosas também de origem negra, surgiram o Candomblé de Congo e o Candomblé de Angola que, por sua vez, vieram a expelir de seu meio o elemento indígena que veio então, isoladamente, a dar origem ao Candomblé de Caboclo e ao Omôlocô.
Ainda assim, mesmo com a “depuração” Nàgô/Congo/Angola, nos “Caboclo” e no “Omôlocô” houve um reflorescimento do Sincretismo Religioso dos ritos indígenas-católicos com o Panteão Africano e vê-se que, lado a lado, com Oxalá, pontificam Tupã e Zambi; ao lado de Yemanjá, estão Janaína e as Yaras; ao lado de Ogum, combatem Cariri e o Boaiadeiro; ao lado de Oxosse, corre o Sultão das Matas; ao lado de Exú, reinam o Caipora e Zé Pelintra, junto aos Baba Egun e a Falange do Oriente, estão os “Caboclos” Tupinambá, Tupiara, Jaú, Irerê, Pedra Preta, Pena Branca, “Sêo Quatro Olho” e muitos outros mais.
Mas, infelizmente, no rastro desse reflorescimento espiritual negro/ameríndio, existiu no Norte, Nordeste, Sudeste e Centro Sul do Brasil uma massa de milhares de outros agrupamentos religiosos sincretizados e miscigenados que – empobrecidos pelo processo crescente de urbanização e carestia, desvinculados de suas raízes regionais pela migração interna, depauperados pelo desemprego e subemprego de seus fiéis – eram incapazes de sustentar as grandes despesas dos ritos segundo os moldes sudaneses, e, então, romperam com a prática dos preceitos e laços étnicos anteriormente definidos e, desse conjunto de circunstâncias socialmente novas, adversas e confusas, paralelamente a aqueles outros cultos já citados, surgiu a Macumba, denominação genérica e popular para designar os muitos “ritos” de práticas religiosas confusas com origens católica, indígena e negra.
E a Macumba acabou por alcançar a periferia das maiores cidades do país, levada pela grande massa de trabalhadores migrantes, ex-escravos que se viram sem trabalho, sem terras ou ofícios quando a escravidão foi abolida em 1889 no Brasil. Especialmente no Rio de Janeiro, antiga capital federal, a Macumba passou ser praticada pelas camadas mais pobres e marginalizadas que a sociedade brasileira já havia conhecido mesmo durante a escravidão.
Mas, já desde de 1873, o primeiro Movimento Espírita organizado no Brasil, sempre no predestinado Rio de Janeiro, denominado Sociedade de Estudo Espírita do Grupo Confúcio, seguindo a tradição francesa do Kardecismo, começara a agir junto à essa camada mais desvalida da população, seguindo as instruções de seu preceito espiritual principal de que “Não existe Espiritismo sem a Caridade“, enfatizando a figura do “médium” como um “curador” e desenvolvendo “sessões” de cura pela Fé nos Espíritos, mas apoiando-se nos tratamentos de saúde por Homeopatia.
Ora, como na Macumba tambám havia Espíritos, Médiuns curadores, conhecimentos do poder curativo das ervas e muita necessidade da Caridade, a empatia espiritual dela com o Kardecismo foi imediata, persistente e duradoura e ele começou a fornecer à Macumba uma nova estrutura, não de sincretismo mas de sintetismo, incluindo o Evangelho, segundo Allan Kardec. Nascia, assim, no Rio de Janeiro, a Macumba Urbana.
Como também eles estivessem necessitados de Caridade, muitos foram os que procuraram socorro e consolo espiritual junto as Macumbas Urbanas interpenetradas pela Evangelização Espírita. E, com o passar do tempo, foi significativa a parcela desses imigrantes, sobre tudo de intelectuais que conheciam a Teosofia, a Kabala e a Astrologia, que permaneceram, militaram e até acabaram por dirigir muitas Macumbas Urbanas, emprestando-lhes significativa organização social, cultural e, por muitas vezes, até política.
fonte de estudos textos de mestre Itaoman.
Carlinhos Lima – Astrologo, Tarologo e Pesquisador
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